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	<title>TorcIcoloR</title>
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	<description>Porque contorço cores.</description>
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		<title>TorcIcoloR</title>
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			<item>
		<title>Canto I</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 23:24:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Nina</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[O amor está exposto, cru, no corpo que seguro nas mãos,
Como a noite vai engolindo, lenta,
O cerne do dia, tua pele, num batuque, é o código morfológico
Do que libertaria meu sangue de meus olhos, meus olhos de minha boca,
Minha boca de minha fala, e eu todo esparramado na cama
Sou água a lavar o mármore. Úmido, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=torcicolor.wordpress.com&blog=3863594&post=56&subd=torcicolor&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>O amor está exposto, cru, no corpo que seguro nas mãos,<br />
Como a noite vai engolindo, lenta,<br />
O cerne do dia, tua pele, num batuque, é o código morfológico<br />
Do que libertaria meu sangue de meus olhos, meus olhos de minha boca,<br />
Minha boca de minha fala, e eu todo esparramado na cama<br />
Sou água a lavar o mármore. Úmido, forte e sujo, escorro<br />
Levando tua espuma, levantado feito um deus recém-nascido,<br />
Percorro tua igreja durante a madrugada, inventando o vício<br />
Num milagre sanguíneo, carnavalesco. Eu trago sonho e músculo<br />
Ao teu poema estranho, e faço estancar o rio, cirurgião nu,<br />
Sem saber porquê, sem saber porquê, eu mergulho desprotegido<br />
Em tua pele até tuas vísceras, envolto em comida digerida, fígado,<br />
Bile, glândulas e fogo, eu nunca amei tanto, eu suturo e recorto,<br />
E canto e escrevo em tuas paredes, eu esparramo o que é segredo,<br />
Beijo a mentira e conheço tua verdade, abraçando o corpo<br />
Como o silêncio que se salva do que é grito, ou o grito<br />
Que se esconde no silêncio, ou um homem que se agarra<br />
À realidade no meio da multidão, aliás, isso, isso.<br />
Exposto, cru, o amor no corpo que me segura pelas mãos.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Poema Panetone</title>
		<link>http://torcicolor.wordpress.com/2008/12/03/poema-panetone/</link>
		<comments>http://torcicolor.wordpress.com/2008/12/03/poema-panetone/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 03 Dec 2008 01:35:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Nina</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[(Eu te sussurro o poema mais doce e simples, meu amor,
Pois é noite e temos frio,
Pois não há nada mais real que esse pássaro pousado em minhas mãos,
Nenhuma verdade maior que esse pássaro sonhando em meus ouvidos,
E não há o que possuir,
Nem há nada que não possa ser sentido&#8230;
Quando eu era um ladrão, minhas mãos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=torcicolor.wordpress.com&blog=3863594&post=45&subd=torcicolor&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>(Eu te sussurro o poema mais doce e simples, meu amor,<br />
Pois é noite e temos frio,</p>
<p>Pois não há nada mais real que esse pássaro pousado em minhas mãos,<br />
Nenhuma verdade maior que esse pássaro sonhando em meus ouvidos,<br />
E não há o que possuir,<br />
Nem há nada que não possa ser sentido&#8230;</p>
<p>Quando eu era um ladrão, minhas mãos eram engraçadas.<br />
As prostitutas sorriam quando eu fazia aparecer moedas em seus ouvidos.<br />
Quando violinista, minhas mãos também eram engraçadas,<br />
Faziam sorrir os reis, gordos e bobos, enquanto eu fazia malabares com vasos delicados,<br />
E mesmo as crianças riam de minhas mãos engraçadas quando fui elefante,<br />
E era só erguer as patas e a tromba e o mundo inteiro ria, circo, palhaço, infante.<br />
E quando fui um par de mãos, minhas mãos engraçadas regiam um coral de dedos<br />
E faziam as linhas velhinhas dançarem valsa nas palmas das mãos. As desdentadas sorriam ao sonhar&#8230;</p>
<p>É tudo corte e costura, essa vida, essa vida imensa,<br />
Esses anéis em todos os meus dedos,<br />
Corte e costura, os dias bordados,<br />
Esse esquecimento do que antes era juramento,<br />
Do poema que anunciei como um presente: )</p>
<p>“POEMA EM UM POEMA</p>
<p>Um sonho bordado em um barco<br />
Bordado em uma noite bordada na chuva<br />
Bordada nos olhos do meu amor<br />
Que sorri e toca o dia,<br />
Minhas mãos.”</p>
<p>(Doce o poema, doce o sussuro do poeta que grita. Hoje nasci<br />
Com voz de fazer ninar e com a carne boa e barata dos panetones&#8230;)</p>
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	</item>
		<item>
		<title>A Galinha</title>
		<link>http://torcicolor.wordpress.com/2008/09/12/a-galinha/</link>
		<comments>http://torcicolor.wordpress.com/2008/09/12/a-galinha/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 12 Sep 2008 13:39:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Nina</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[Porque ser belo já não é ser inteiro,
E o que foi óbvio está vestido como turvo,
Porque ser aberto se tornou estar denso
E apenas ser já não significa estar puro.
Durante a noite, engoli as fronteiras que ergui
Pela manhã. Vi meus vasos derramados,
Vi a carne empapada de sangue e de alma,
E, na lama, apenas meus dedos moviam-se,
Tateando, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=torcicolor.wordpress.com&blog=3863594&post=41&subd=torcicolor&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Porque ser belo já não é ser inteiro,<br />
E o que foi óbvio está vestido como turvo,<br />
Porque ser aberto se tornou estar denso<br />
E apenas ser já não significa estar puro.</p>
<p>Durante a noite, engoli as fronteiras que ergui<br />
Pela manhã. Vi meus vasos derramados,<br />
Vi a carne empapada de sangue e de alma,<br />
E, na lama, apenas meus dedos moviam-se,</p>
<p>Tateando, lentos, a superfície do ninho.<br />
Os ovos misturavam-se à palha,<br />
Intactos e amorfos. Dentro da casca,<br />
Os animais esqueciam se eram pássaros,</p>
<p>Lagartos ou alguma espécie de peixe.<br />
Conforme envelheciam, se tornavam apenas devir.<br />
Envolvi meu corpo ao redor da ninhada,<br />
E os embriões adormeceram no calor da espera.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Barbárie</title>
		<link>http://torcicolor.wordpress.com/2008/09/10/barbarie/</link>
		<comments>http://torcicolor.wordpress.com/2008/09/10/barbarie/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 10 Sep 2008 22:55:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Nina</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[Porque me vi livre de repente,
Sem sequer saber do que fui libertado,
Chamei Deus Àquele que supus ter destrancado um suposto cárcere e
Chamei homens àqueles que constatei compartilharem deste vento.
Dei nome a tudo que a areia trazia. A tudo que pude tocar na tempestade.
O que não pude alcançar seguiu intacto, foi levado pelo vento.
Amanhã, chegarei em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=torcicolor.wordpress.com&blog=3863594&post=39&subd=torcicolor&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Porque me vi livre de repente,<br />
Sem sequer saber do que fui libertado,</p>
<p>Chamei Deus Àquele que supus ter destrancado um suposto cárcere e<br />
Chamei homens àqueles que constatei compartilharem deste vento.</p>
<p>Dei nome a tudo que a areia trazia. A tudo que pude tocar na tempestade.<br />
O que não pude alcançar seguiu intacto, foi levado pelo vento.</p>
<p>Amanhã, chegarei em casa.<br />
Despirei a roupa, apagarei os livros,</p>
<p>O dia estará liberto das palavras,<br />
E meus ossos serão belos novamente.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/torcicolor.wordpress.com/39/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/torcicolor.wordpress.com/39/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/torcicolor.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/torcicolor.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/torcicolor.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/torcicolor.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/torcicolor.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/torcicolor.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/torcicolor.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/torcicolor.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/torcicolor.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/torcicolor.wordpress.com/39/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=torcicolor.wordpress.com&blog=3863594&post=39&subd=torcicolor&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Vitor Nina</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>O Lixo</title>
		<link>http://torcicolor.wordpress.com/2008/09/09/o-lixo/</link>
		<comments>http://torcicolor.wordpress.com/2008/09/09/o-lixo/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Sep 2008 01:13:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Nina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Batia o vestido de domingo na pedra.
Sobre ela, urubus belos planavam.
Um octilhão, o dobro ou mais de olhos,
Todos rezando coisas escondidas,
Uma igreja plumada a rodar no espaço
Caindo como um sinal de satélite, um hiato
De almas sobre o sabão da mulher
Que inventei em meu ato Nero de me dizer
Cheio de carne e saponáceos.
O vestido é de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=torcicolor.wordpress.com&blog=3863594&post=33&subd=torcicolor&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Batia o vestido de domingo na pedra.<br />
Sobre ela, urubus belos planavam.<br />
Um octilhão, o dobro ou mais de olhos,<br />
Todos rezando coisas escondidas,<br />
Uma igreja plumada a rodar no espaço<br />
Caindo como um sinal de satélite, um hiato<br />
De almas sobre o sabão da mulher<br />
Que inventei em meu ato Nero de me dizer<br />
Cheio de carne e saponáceos.<br />
O vestido é de algodão e está torto<br />
No corpo úmido, recém-parido e sexual,<br />
Tremendamente sexual<br />
Da mulher que agora come frutas de feira<br />
Em meus cabelos enquanto estou preso<br />
No cruzamento mais congestionado da cidade.<br />
Meus olhos de intestino delgado, minhas mãos de intestino grosso,<br />
Mas a boca sempre seca, a garganta meio que virgem, meio que inferno,<br />
E versos simples, simples. “A humanidade é imensa.”<br />
Queria um poema puro.</p>
<p>A cara das pessoas, que coisa bela e enganada.<br />
Alguns cães cruzam a rua, meu coração range orgânico às vezes,<br />
É um esqueleto com artrite. Os cães são imensos, e os outros animais também,<br />
E todos roem ossos, eu imagino. Queria um poema puro. Comer algo puro.<br />
Eu tentei amar desesperadamente,<br />
Tentei desesperadamente amar algo desesperadamente,<br />
Todos tentamos, pensava, enquanto me empanturrava de comida e palavras.<br />
Sôfrego, o corpo de arroz com feijão, a alma de frango assado,<br />
Caí embrulhado em ônibus e carteiras de motorista,<br />
Beijei minha mulher de tabelas e molas,<br />
Senti os braços úmidos que me erguiam, mágico,<br />
Em semelhança e roupas.<br />
Tropecei nos pássaros, derramei refrigerante em meus sonhos,<br />
Eram de carne e pano, descobri enquanto, manchados,<br />
Eles desmanchavam em meus dedos.</p>
<p>Um vendaval morre em silêncio enquanto me visto, higienizado.<br />
Outro corre vendaval, fazendo adormecer e surpreender as lavadeiras<br />
Em meus cabelos, e o vento seca os vestidos e os molha de chuva,<br />
E todas cantam, úmidas, algo que arde e entristece. Eu mantenho a maré,<br />
Como quem foge de si, uma ventania que entrelaça, uma fome que se quer em jejum.</p>
<p>As mãos, envelhecidas, estão cheias de lâminas.<br />
O rosto das pessoas se dilui, eu me entranho, diluído entre cachorros e multidões.<br />
Temo tocar no rosto do menino que me sorri, e me pergunto, calado,<br />
Se meu tato ainda reconhece pele, ou apenas coisas de número e corte&#8230;<br />
Estamos tão pesados, meus companheiros e eu,<br />
Ainda estamos sós, obesos de tanta esperança.</p>
<p>Uma epifania ao dobrar uma esquina, a morte ao provar de uma face,<br />
Um queda lenta, como de uma folha, ao ver o sol penetrar os orifícios da rua<br />
E me perceber morno também.<br />
Eu desfruto de Deus, literalmente. Arranco-O em dorso e ventre, e cauda e face,<br />
Arranco da árvore que eu amo, e como da fruta, fértil e violento,<br />
Os dentes percorrendo o firmamento, entornando o suco, por vezes amargo,<br />
Por vezes triste e doce, por vezes mulher lavando coisas, por vezes pai distribuindo doces,<br />
Por vezes massa, por vezes trigo ainda,<br />
E por vezes areia apenas.<br />
Mas, no meio da ceia, temo comer apenas da minha própria carne e beber apenas do meu próprio sangue&#8230;</p>
<p>Íntimo, forte e torto segue meu grito<br />
Em eco e invenção.<br />
Sou metade espelho, metade anzóis.</p>
<p>Envolta em ácidos nucléicos e saponáceos<br />
A mulher enxágua o vestido de flores,<br />
As pernas, imensas, são troncos imersos na fonte.<br />
No entanto, ela roda, bailarina, em fome e verso.<br />
Deus também roda, num gravador,<br />
Mas o batom nos lábios dela não desmancha com a água,<br />
E a tintura vermelha no corpo lembra a de um índio,<br />
Lembra um ensangüentado que tive de costurar.</p>
<p>Pedi água e parei a sutura. Eu banhei minhas mãos em soro,<br />
E o sangue fluiu, diluído. Sorri debaixo da máscara.<br />
O homem, algemado no leito, jamais partilharia dessa melancolia<br />
Ou desse romantismo. Nem eu. Mas era meu corpo<br />
Que saía de minha mãe naquela hora. Dois pulmões, entre bilhões.<br />
E narinas, e veias, e artérias, e nervos, que sempre correm juntos,<br />
Rumando para o encéfalo ou o coração.<br />
Dizem que os rios fluem para o mar.<br />
Devem existir exceções, eu acredito,<br />
Mas não afirmo.<br />
Só o que é certo é que tudo ruma,<br />
O rosto das pessoas, o gosto das faces,<br />
Os cães entre os carros, a vida das mães, o grito dos pais,<br />
A dor das viúvas, o odor dos rejeitados,<br />
O olor das vivas, o fluir das seivas e das linfas,<br />
Os cortes, os nascimentos, as cidades, os engarrafamentos.</p>
<p>E algo rumando, eterno, para minha alma,<br />
Algo sem número, cheio de olhos, algo como um polvo,<br />
Eterno e múltiplo, pleno de mãos, túrgido de pus e de vinho,<br />
De nádegas e de gônadas, de recifes e de carnes.<br />
Estar preso dentro de um carro num engarrafamento<br />
É tão fascinante quanto inventar cantos de lavadeiras abstratas.</p>
<p>Eu tanto ouço motores como ouço anjos,<br />
Porque há muito do meu Deus no que se decompõe.</p>
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		<item>
		<title>Fragmento no. 7</title>
		<link>http://torcicolor.wordpress.com/2008/09/05/fragmento-no-7/</link>
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		<pubDate>Fri, 05 Sep 2008 06:12:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Nina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Porque, entre Homens e mortos,
Estamos nós em multidões.
Como máquinas, despertamos mornos
Sob a espera inexata de algo,
Como um pressentimento
Ou uma desesperança.
       <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=torcicolor.wordpress.com&blog=3863594&post=31&subd=torcicolor&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Porque, entre Homens e mortos,<br />
Estamos nós em multidões.<br />
Como máquinas, despertamos mornos<br />
Sob a espera inexata de algo,<br />
Como um pressentimento<br />
Ou uma desesperança.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/torcicolor.wordpress.com/31/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/torcicolor.wordpress.com/31/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/torcicolor.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/torcicolor.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/torcicolor.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/torcicolor.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/torcicolor.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/torcicolor.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/torcicolor.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/torcicolor.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/torcicolor.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/torcicolor.wordpress.com/31/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=torcicolor.wordpress.com&blog=3863594&post=31&subd=torcicolor&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Vitor Nina</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Morfologia</title>
		<link>http://torcicolor.wordpress.com/2008/08/31/morfologia/</link>
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		<pubDate>Sun, 31 Aug 2008 17:20:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Nina</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://torcicolor.wordpress.com/?p=28</guid>
		<description><![CDATA[(&#8230;) Enquanto o sol,
Uma galinha amarela a espernear,
Queimava a língua em suas línguas,
Estavam todas empoeiradas na estante
Durante o ônibus que lhes levava até uma
Inteligência inútil e uma sabedoria impossível
Enquanto pensavam nas frases que nunca viveriam
Mas gostariam de falar
Ah, sim, eu andava de olhos baixos
Fixos no retrovisor
Lado a lado com as carpideiras entranhadas na lata
Como tétano, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=torcicolor.wordpress.com&blog=3863594&post=28&subd=torcicolor&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>(&#8230;) Enquanto o sol,<br />
Uma galinha amarela a espernear,<br />
Queimava a língua em suas línguas,<br />
Estavam todas empoeiradas na estante<br />
Durante o ônibus que lhes levava até uma<br />
Inteligência inútil e uma sabedoria impossível<br />
Enquanto pensavam nas frases que nunca viveriam<br />
Mas gostariam de falar<br />
Ah, sim, eu andava de olhos baixos<br />
Fixos no retrovisor<br />
Lado a lado com as carpideiras entranhadas na lata<br />
Como tétano, como hécades, como empregadas domésticas<br />
Marchando dóceis até a boca dos patrões.<br />
Alguns adolescentes bobos atravessam o mármore<br />
Com pizzas nas mãos entrelaçadas,<br />
A mangueira de gasolina é erguida alto,<br />
O cloro é desmanchado nas piscinas,<br />
Eu consumo a vida com os olhos no espelho:<br />
Uma alma obediente aos sinais de trânsito<br />
Luminosos, o verde, o vermelho,<br />
O amarelo galinha ou desodorante. (&#8230;)</p>
<p>(&#8230;) Eu passei a noite inteira feito um açougueiro<br />
E as flores brotavam por onde eu pisava.<br />
Agora eu olhos essas mãos sujas de subjetividade<br />
E sinto como um animal que me espreita<br />
Os olhos claros da objetividade que jamais degluti. (&#8230;)</p>
<p>Porque ter sono é ter pais e mães num galinheiro no quintal.<br />
Eu vi as tecelãs sugando minhocas direto da terra.<br />
Eu vi um cobrador de ônibus cantar.<br />
Eu vi um sinal de trânsito subir aos céus.<br />
Eu vi sangue chorando como um recém-nascido.<br />
Eu vi meu nome emudecer.<br />
Eu vi mulheres gritando de dor.<br />
Mas é melhor correr, no trânsito<br />
Toda a atenção é necessária,<br />
Ele dizia com os pés no freio<br />
E na embreagem enquanto eu desviava<br />
De gordas e crianças.</p>
<p>E é sempre mais confortável ter sido criado, apenas.<br />
A misericórdia divina reside<br />
Em não pedir opiniões&#8230;</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Constatação</title>
		<link>http://torcicolor.wordpress.com/2008/08/26/constatacao/</link>
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		<pubDate>Tue, 26 Aug 2008 00:22:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Nina</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[A Realidade tem uma barriga heterogênea.
Grávida, a balofa implora por comida no asfalto,
Enquanto arrota na janela dos carros,
E seu bafo é todos nós.
O vidro das portas sobe elétrico, sincronizado,
Onisciente, quem sabe&#8230;
       <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=torcicolor.wordpress.com&blog=3863594&post=26&subd=torcicolor&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A Realidade tem uma barriga heterogênea.<br />
Grávida, a balofa implora por comida no asfalto,<br />
Enquanto arrota na janela dos carros,<br />
E seu bafo é todos nós.<br />
O vidro das portas sobe elétrico, sincronizado,<br />
Onisciente, quem sabe&#8230;</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/torcicolor.wordpress.com/26/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/torcicolor.wordpress.com/26/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/torcicolor.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/torcicolor.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/torcicolor.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/torcicolor.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/torcicolor.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/torcicolor.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/torcicolor.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/torcicolor.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/torcicolor.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/torcicolor.wordpress.com/26/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=torcicolor.wordpress.com&blog=3863594&post=26&subd=torcicolor&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Vitor Nina</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Família</title>
		<link>http://torcicolor.wordpress.com/2008/08/26/familia/</link>
		<comments>http://torcicolor.wordpress.com/2008/08/26/familia/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 26 Aug 2008 00:07:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Nina</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://torcicolor.wordpress.com/?p=24</guid>
		<description><![CDATA[Por qual silêncio andará meu corpo
A essa hora da noite da terça-feira mais desnecessária
Que pude conhecer em vida?
Abro as mãos e deixo que o espírito dos porcos
Corra sobre mim
Pois o espírito dos anjos usa lantejoulas
E ri dos que tropeçam por não saberem flutuar sobre a multidão
Eu ergo o dedo médio para o alto enquanto
Meus pés [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=torcicolor.wordpress.com&blog=3863594&post=24&subd=torcicolor&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Por qual silêncio andará meu corpo<br />
A essa hora da noite da terça-feira mais desnecessária<br />
Que pude conhecer em vida?</p>
<p>Abro as mãos e deixo que o espírito dos porcos<br />
Corra sobre mim<br />
Pois o espírito dos anjos usa lantejoulas<br />
E ri dos que tropeçam por não saberem flutuar sobre a multidão</p>
<p>Eu ergo o dedo médio para o alto enquanto<br />
Meus pés se ferem na lama e caminham<br />
Lado a lado com as botas e as rodas<br />
E as farmácias e as grifes<br />
E os vaidosos e os assassinos e os fracos</p>
<p>Doces insetos etéreos vagam calmos<br />
Como a superfície de um lago no escuro<br />
E seus olhos entre nós soam quentes<br />
A misericórdia é morna<br />
Um exército cor-de-vela subindo ao sol<br />
Como uma lenta correnteza<br />
Um vento triste varre minha cabeça<br />
Eu olho para cima e me despeço da humanidade verdadeira<br />
Como quem se despede de um parente distante e desconhecido<br />
Num feriado de domingo<br />
Eles correm felizes<br />
São dez ou doze ou no máximo duzentos pontos dourados<br />
Nadando entre as nuvens até o poente<br />
Onde, do outro lado, o Abstrato lhes espera, infindo.</p>
<p>Eu abaixo os olhos e sorrio<br />
Ao meu redor<br />
Sete bilhões de desumanos<br />
Constroem a vida<br />
Sujos de terra<br />
Da cabeça aos pés</p>
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			<media:title type="html">Vitor Nina</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>A Incompleta Fábula sobre Tudo</title>
		<link>http://torcicolor.wordpress.com/2008/08/25/a-incompleta-fabula-sobre-tudo/</link>
		<comments>http://torcicolor.wordpress.com/2008/08/25/a-incompleta-fabula-sobre-tudo/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 25 Aug 2008 15:15:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Nina</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://torcicolor.wordpress.com/?p=22</guid>
		<description><![CDATA[Nos desacordados nos quartos
Os olhos estão calados
Para que a luz não acorde
Nunca acorde
O tudo adormecido que
Espreita desperto com
Mãos de lanternas e canetas
Com o hálito lúcido de
Filas e de carnavais
As hordas de carpideiras que se alinham
Como exércitos na beira do abismo
Entre o dia e o mergulho
Erguem as mãos de súbito
O rei de tudo há de desfilar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=torcicolor.wordpress.com&blog=3863594&post=22&subd=torcicolor&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Nos desacordados nos quartos<br />
Os olhos estão calados<br />
Para que a luz não acorde<br />
Nunca acorde<br />
O tudo adormecido que<br />
Espreita desperto com<br />
Mãos de lanternas e canetas<br />
Com o hálito lúcido de<br />
Filas e de carnavais</p>
<p>As hordas de carpideiras que se alinham<br />
Como exércitos na beira do abismo<br />
Entre o dia e o mergulho<br />
Erguem as mãos de súbito<br />
O rei de tudo há de desfilar hoje<br />
As bocas dos desacordados abrem-se em coro<br />
Boquiabertas</p>
<p>Ele anda estranho<br />
Manco e boi<br />
Vagando entre pastos<br />
Em eterna corrida desesperada e lenta<br />
Atrás da rainha nada<br />
Aquela que vive por detrás das orelhas<br />
Num fosso desconhecido dos anatomistas e dos filósofos<br />
Onde os olhos nunca alcançam<br />
Onde existem palavras jamais provadas por qualquer boca</p>
<p>E é por isso que Tudo tem febre<br />
Pelo sabor que jamais sentirá<br />
Daquilo que jamais<br />
Daquilo que não<br />
Daquilo que nunca<br />
Pois sequer</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/torcicolor.wordpress.com/22/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/torcicolor.wordpress.com/22/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/torcicolor.wordpress.com/22/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/torcicolor.wordpress.com/22/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/torcicolor.wordpress.com/22/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/torcicolor.wordpress.com/22/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/torcicolor.wordpress.com/22/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/torcicolor.wordpress.com/22/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/torcicolor.wordpress.com/22/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/torcicolor.wordpress.com/22/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/torcicolor.wordpress.com/22/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/torcicolor.wordpress.com/22/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=torcicolor.wordpress.com&blog=3863594&post=22&subd=torcicolor&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Vitor Nina</media:title>
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