Arquivos para a Categoria ‘Poesia’

Afinal,
Abril 9, 2012

Nada leva a nada Exceto O amor a tudo.

O Silêncio e a Rua
Outubro 4, 2010

Grave e sorridente Minha alma esfacelada caminha altiva Entre suas irmãs: “Nós estamos surdas, ou foi nosso rosto que mudou?”, Elas se perguntam em silêncio, Sem que nenhuma boca se abra… Os poetas da América não estão mortos, Apenas diluídos, E caminham no corpo dos edifícios Ruminando em silêncio a memória De uma terra bruta [...]

O Lixo
Setembro 9, 2008

Batia o vestido de domingo na pedra. Sobre ela, urubus belos planavam. Um octilhão, o dobro ou mais de olhos, Todos rezando coisas escondidas, Uma igreja plumada a rodar no espaço Caindo como um sinal de satélite, um hiato De almas sobre o sabão da mulher Que inventei em meu ato Nero de me dizer [...]

Fragmento no. 7
Setembro 5, 2008

Porque, entre Homens e mortos, Estamos nós em multidões. Como máquinas, despertamos mornos Sob a espera inexata de algo, Como um pressentimento Ou uma desesperança.

Poema exagerado e precisosinho
Agosto 25, 2008

Com os olhos do velho na minha cabeça Eu desci o corredor como quem atravessa uma avenida Envolvido pelos carros entrei no gabinete e ergui as agulhas Sobre minha cabeça a foto antiga de um santo Voltei por mim e apenas por mim Envolto em sangue dos outros e assepse Tremendamente humano e calçando luvas [...]

Da Sobrevivência dos Mais Aptos
Junho 14, 2008

Num instante eterno como numa estante Minha vida nua ergue-se livro E eu impresso em letras úmidas Caminho irritado sob o meio-dia Goela abaixo na farmácia Enquanto famintos me espreitam Pedindo moedas goela acima Vômito na lajota vômito E a mãe indignada acena Abro minha carteira como um punhal E num instante caminho coberto de [...]

A Glória da Manhã
Junho 3, 2008

Nossos olhos unidos, irmãos, Ergam as mãos, agradeçamos Em coro, e nosso vômito Subirá aos céus em uma só voz. Eu vos digo: A manhã gloriosa se ergue perante meus olhos fundidos. E, porque tenho fome, Ela me mostra os homens e as mulheres. Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós [...]

IML
Junho 3, 2008

Não sei o que há Sob a pele deste rapaz. Vê-se que o dia, espesso, É toda a sua pelugem, Colorindo-lhe como uma Plumagem, porém mais Violenta, pois que é Tomada por vozes. Contudo, o que mais intriga São as janelas abertas espalhadas Em seu sangue, Por onde um ar úmido entra, Carregando o canto [...]

Torcicolor
Junho 1, 2008

Mantinha os olhos fixos no sol, Como que a buscar lucidez. Estava a anos na mesma posição, Parado, a face voltada para o céu, Para a estrela que lhe tirara o sono. Já não havia noite, nem haveria dia. O sol, em eterno-meio dia, Queimara-lhe as retinas. Estava cego, e perseguia a luz Como quem [...]

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