Arquivos para a Categoria ‘1’

Vulcão
Fevereiro 11, 2010

Na larva queima uma borboleta

Canto I
Abril 20, 2009

O amor está exposto, cru, no corpo que seguro nas mãos, Como a noite vai engolindo, lenta, O cerne do dia, tua pele, num batuque, é o código morfológico Do que libertaria meu sangue de meus olhos, meus olhos de minha boca, Minha boca de minha fala, e eu todo esparramado na cama Sou água [...]

Poema Panetone
Dezembro 3, 2008

(Eu te sussurro o poema mais doce e simples, meu amor, Pois é noite e temos frio, Pois não há nada mais real que esse pássaro pousado em minhas mãos, Nenhuma verdade maior que esse pássaro sonhando em meus ouvidos, E não há o que possuir, Nem há nada que não possa ser sentido… Quando [...]

A Galinha
Setembro 12, 2008

Porque ser belo já não é ser inteiro, E o que foi óbvio está vestido como turvo, Porque ser aberto se tornou estar denso E apenas ser já não significa estar puro. Durante a noite, engoli as fronteiras que ergui Pela manhã. Vi meus vasos derramados, Vi a carne empapada de sangue e de alma, [...]

Barbárie
Setembro 10, 2008

Porque me vi livre de repente, Sem sequer saber do que fui libertado, Chamei Deus Àquele que supus ter destrancado um suposto cárcere e Chamei homens àqueles que constatei compartilharem deste vento. Dei nome a tudo que a areia trazia. A tudo que pude tocar na tempestade. O que não pude alcançar seguiu intacto, foi [...]

Morfologia
Agosto 31, 2008

(…) Enquanto o sol, Uma galinha amarela a espernear, Queimava a língua em suas línguas, Estavam todas empoeiradas na estante Durante o ônibus que lhes levava até uma Inteligência inútil e uma sabedoria impossível Enquanto pensavam nas frases que nunca viveriam Mas gostariam de falar Ah, sim, eu andava de olhos baixos Fixos no retrovisor [...]

Constatação
Agosto 26, 2008

A Realidade tem uma barriga heterogênea. Grávida, a balofa implora por comida no asfalto, Enquanto arrota na janela dos carros, E seu bafo é todos nós. O vidro das portas sobe elétrico, sincronizado, Onisciente, quem sabe…

Família
Agosto 26, 2008

Por qual silêncio andará meu corpo A essa hora da noite da terça-feira mais desnecessária Que pude conhecer em vida? Abro as mãos e deixo que o espírito dos porcos Corra sobre mim Pois o espírito dos anjos usa lantejoulas E ri dos que tropeçam por não saberem flutuar sobre a multidão Eu ergo o [...]

A Incompleta Fábula sobre Tudo
Agosto 25, 2008

Nos desacordados nos quartos Os olhos estão calados Para que a luz não acorde Nunca acorde O tudo adormecido que Espreita desperto com Mãos de lanternas e canetas Com o hálito lúcido de Filas e de carnavais As hordas de carpideiras que se alinham Como exércitos na beira do abismo Entre o dia e o [...]

Passado no.2
Agosto 25, 2008

Eu dobrei meus olhos Até ver em minhas costas Os pontos que preciso retirar Como quem revela uma foto Da sutura A sutura como um mapa Em meus sulcos Como o suco de uma fruta Bebo essa curva Esse espelho Enquanto corro com Tesouras nas mãos Como se fossem linhas E onde toco Como um [...]

Disneylândia
Agosto 21, 2008

Há muito sangue jogado na cama Jorrado como estrelas do mar que são cuspidas Do mar e eu choro como um monstro que sangra Ensopado o gato enrola sua língua na minha e Eu me engulo ostra Em minha saliva os barcos voam assombrados Voam imensos garganta abaixo como quem se atira De uma cachoeira [...]

Ninar ou Simples
Agosto 16, 2008

Os monstros estão no escuro Ele dizia enquanto levantava o filho para o alto em direção à lâmpada Como se fosse uma estrela e pudesse guardá-lo De toda sombra que habitasse a casa Mas era dia E o sol gemia lento nos andaimes Enquanto caminhávamos tentando nos ninar Pais de nós mesmos Os sapatos breves [...]

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