XXIII

Já é tempo de deitar em seu colo o cadáver e abri-lo
Gentilmente do mento ao púbis com sua navalha

E porque você diria não?

Abra bem a boca
Encoste os olhos nela
Só há escuro onde havia a língua
Um buraco
E o pescoço aberto
Retire o externo com a tesoura de cortar costelas
Os pulmões e o coração repousam intactos sob o líquido escuro
No estômago
Ainda não digerido
Resta um almoço magro

Beije o rosto de cada um na plateia:
Não há traição.

Logo estarão deitados juntos,
Do mento ao púbis
A navalha.

E porque você diria não?

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