Carrego minha morte deitada em meus ombros, Senhor,
Carrego este Teu peso, suave e carnívoro, em silêncio,
Enquanto observo tuas mãos chamarem ao longe, distantes.
Teu canto tenta me adormecer, mas estou surdo.
O gosto de plástico em minha boca é o corpo do anti-Deus moderno e colorido.
Minha alma busca um repouso inútil na loucura
De saber que é Teu corpo no lixo devorado nas televisões
Num fast food.
Tudo é trigo e barro, e tudo é carne.
Tudo é sangue e peixes, tudo gira triste
No móbile celeste de Teu quarto solitário e infante.
Montas meu corpo com cuidado sobre a caixinha
E fazes com que a música soe doce e consumptiva
Logo serei esquecido junto aos outros brinquedos que já se quebraram
Mas em minha engrenagem ainda restará o açúcar de Teus dedos sujos de doce.