O coração do Homem ainda pulsa em minha mão.
É um pássaro molhado, e fez ninho nas linhas de minha palma.
É da cor do meu sangue.
É um animal acuado defronte a palavra que lhe dá nome.
Pulsa em glória e medo. Glória e medo. Glória e medo.
O coração do Homem pulsa. Um voo imundo
Feito de eterna queda. Pulsa. É minhas mãos e meus punhos e minhas unhas.
É uma luva de peles mortas em minha alma.
O coração do Homem é o lobo, sua fome é minha fome, e me devoro.
Suas mãos enormes pulsam em minha mão mínima.
O coração do Homem é o pássaro, suas penas são minhas penas, e me decoram.
Pequeno animal, eu te dou minha razão e minha poesia,
Porque não possuo mais nada,
Porque não posso te confortar do frio que o Sol impõe.
Na imensidão, tua glória e teu medo devoram meu sussurro que recito a plenos pulmões.
Abraçado a teus dentes sorrio cego enquanto meu corpo desaparece em teu corpo…
O coração do Homem ainda pulsa em minha mão,
Resta poder tocá-lo.
Lindo, Victor! Os contrastes, o lirismo e a profundidade desse poema marcam um estilo que é muito teu. Não pare de escrever! Bjs.