A Incompleta Fábula sobre Tudo

Nos desacordados nos quartos
Os olhos estão calados
Para que a luz não acorde
Nunca acorde
O tudo adormecido que
Espreita desperto com
Mãos de lanternas e canetas
Com o hálito lúcido de
Filas e de carnavais

As hordas de carpideiras que se alinham
Como exércitos na beira do abismo
Entre o dia e o mergulho
Erguem as mãos de súbito
O rei de tudo há de desfilar hoje
As bocas dos desacordados abrem-se em coro
Boquiabertas

Ele anda estranho
Manco e boi
Vagando entre pastos
Em eterna corrida desesperada e lenta
Atrás da rainha nada
Aquela que vive por detrás das orelhas
Num fosso desconhecido dos anatomistas e dos filósofos
Onde os olhos nunca alcançam
Onde existem palavras jamais provadas por qualquer boca

E é por isso que Tudo tem febre
Pelo sabor que jamais sentirá
Daquilo que jamais
Daquilo que não
Daquilo que nunca
Pois sequer

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