Há muito sangue jogado na cama
Jorrado como estrelas do mar que são cuspidas
Do mar e eu choro como um monstro que sangra
Ensopado o gato enrola sua língua na minha e
Eu me engulo ostra
Em minha saliva os barcos voam assombrados
Voam imensos garganta abaixo como quem se atira
De uma cachoeira esôfago estômago intestino
Corrente sanguínea boca das células
Eu ordeno aos homens proa convés bombordo
Ateiem as velas queimem as velas
Construam casas com a madeira do casco
Pois sonhei que estamos perto da praia
E se não estivermos
Afundemos bebamos o mar utilizemos os verbos
Em flexões estranhas
Até que de nossas barbas o sol nasça
Imenso como o leão no filme da Disney
E da pedra, como o macaco, ergueremos nossos crânios
Nossos corpos neonatos que sorrirão para o próprio reino
Os corações espalhados pelo quarto
As moscas estão gordas imensas
E as larvas não são de borboletas
Alguém lava meus olhos
Com minhas mãos
Assustados com a possibilidade da vida entre os cadáveres
Os vermes sentam à espera
Da hora própria para a refeição
Como velhos amigos conversamos
Sobre coisas dos desertos
E das florestas
Eu lhes digo que algo ainda pulsa
Eles me mostram as crianças e os velhos
Tudo é pasto eles dizem
Eu aponto para as estrelas sorrindo
E assisto o filme da Disney com meu sobrinho
Até as larvas calam para o menino dormir
Tenho medo que meu suor derreta a criança
Estamos ácidos demais eu comento com os que me devoram
Eu pouso
Pouso muito lento
Mas estou gordo e o galho quebra
Repetindo-se.
CADÊ TU?
Saudade. Não morre tão cedo.