Mantinha os olhos fixos no sol,
Como que a buscar lucidez.
Estava a anos na mesma posição,
Parado, a face voltada para o céu,
Para a estrela que lhe tirara o sono.
Já não havia noite, nem haveria dia.
O sol, em eterno-meio dia,
Queimara-lhe as retinas.
Estava cego, e perseguia a luz
Como quem tem sede,
Feito um girassol.
Há anos sentara sob sua estrela,
A olhar com um sorriso bobo para o alto,
Como quem ouve uma sereia…
As crianças corriam ao seu redor,
E por vezes pensavam que era uma estátua
Até ouvirem a canção que cantarolava
Baixinho, o tempo inteiro…
A pele, tostada e seca
Estava coberta de musgo,
E um pássaro já fizera ninho
Em suas costas.
Sua barba incrustara no chão,
As mãos abertas num eterno aceno…
No fundo, o que desejava
Era o corpo do sol, num beijo.
“É uma mulher, é só uma mulher,
É só carne entranhada nessa luz”,
Repetia para o suor que brotava
Em sua pele, tentando guardar algum
Mínimo de água em si, e ao mesmo tempo
Despejando seus odres sobre a areia,
Era um suicida, um sonhador,
Um desidratado de boca aberta
Tentando engolir o calor do deserto.
E acenava um aceno bobo,
Lá do alto, era invisível,
Um ponto mínimo submerso na cidade de néon…
Fazia longos monólogos para a sua estrela,
Gritando com todas as suas forças, na esperança de ser escutado…
E falava de seus sonhos até adormecer de olhos abertos
Pois as órbitas estavam demasiado inflamadas
Para lhe permitir fechar as pálpebras.
A cidade era imensa,
A multidão lhe engolia,
Enquanto ele, estático,
Praticava o labor de todos os dias,
Comendo, indo ao banco,
Atravessando a rua carregando uma esperança
Como uma saca de farinha sobre a cabeça.
Ele murmurava seu amor,
Assombrado por luz,
O pescoço contorcido em cores,
Os olhos a sangrar.
Dói andar pelo dia a sangrar por causa do sol.
Contudo, o amor lhe fora dado assim.
Como um gato vivendo em sua barriga,
Dentro do corpo pobre
Havia outro sol que rugia
E o impelia em gravidade e combustão
Ao sol que queimava longe.
Nem enterrado, nem submerso, nem cego,
Seus olhos eternamente abertos, fixos no sol.
No sol.
No sol.
No sol, amor, no sol.
Já tentara arrancar os olhos,
Lançá-los pelo espaço, através das galáxias,
“São bilhões de estrelas”,
Repetia em meio ao cansaço da fuga,
“São bilhões de estrelas”.
Mas seus olhos, como baratas surgindo do esgoto,
Teimavam em renascer em suas órbitas.
Curandeiras, em vão, lhe vendaram os olhos.
Fingia olhar para o chão, e os que olhavam seu rosto
Nada notavam, exceto um calor muito doce vindo dos olhos…
Caminhava, vendado e prestativo,
Um homem de bem entre os guarda-chuvas.
Mas, por baixo da venda, por baixo das pálpebras,
Por baixo dos olhos de pele,
Seus olhos inflamados contemplavam, estupefatos,
Aquela estrela em eterno meio-dia.
Dentro da cabeça baixa,
Havia um homem em pé olhando para o céu,
A esticar os braços, e equilibrar-se nas pontas dos pés,
Tentando tocar o sol como quem
Apanha o fruto de uma árvore.
E ele seguia em solidão
A imaginar-se tateando o corpo líquido do sol,
A construir telescópios com sua carne,
A gritar canções para o espaço até perder a voz…
Alheio ao fogo,
O sol queimava imenso, lindo,
Como um sol, como uma catarata
Ao redor de todas as coisas.
O Sol tentou touca-lhe imensas vezes, o outro não aceitava a jogava longe com sua perspicas inteligencia… negava seu sentimento, dizia mentiras, afastava o sol e ele após longas terapias, voltava com imensas olheiras acreditando no seu coração que via no outro.
Era a luz vir em forma de paz que o odio voltada a reinar.
Falar de corpos, esperas, sempre a recusou, pura alegoria, não, auto-punição. Quem sabe, agora o golpe havia cido grande.
A cabeça rodopio, choveu imensamente, a virtualidade causadora da distancia… tanto a ser dito. Como podia, sentir tanto prazer com este jogo de dor alheia, não sentia nada por ela, brincava com o sentimento um dia comungado.
Tentava entender como ele encontrava tantos defeitos em sua essência e em outros momentos deliciavam-se com o Amor.
Para ela ficaria com o ultimo somente e deu.